Copom encerra ciclo de aperto monetário e mantém Selic em 10,75% a.a.
Por: Tainara Machado
Após reunião de dois dias, terminada nesta quarta-feira (1), o Copom (Comitê de Política Monetária) optou por manter a meta para a Selic em 10,75% ao ano, interrompendo assim o ciclo de aperto monetário iniciado em abril. O movimento era largamente esperado pelos analistas de mercado, como mostrou o último relatório Focus, e traz pouca surpresa. A decisão foi tomada por unanimidade e sem viés.
Após a ata da reunião de 21 de julho, em que o comitê diminuiu a intensidade do arrocho ao elevar a Selic em 50 pontos-base, o mercado começou a ventilar a hipótese de que o aperto teria fim nessa quarta, em especial porque a autoridade monetária declarou que são "decrescentes os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno".
Confira o comunicado na íntegra:
"O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 10,75% a.a., sem viés. Ao mesmo tempo em que não espera que o nível de inflação registrado nos últimos meses se mantenha em um futuro próximo, o Copom observa a continuação do processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde sua penúltima reunião. Nesse contexto, o Comitê avalia que, neste momento, a manutenção da taxa de juros básica no nível estabelecido em sua reunião de julho proporciona condições adequadas para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas".
Repercussão
Ao comentar o tom da nota que acompanhou a decisão de deixar a Selic em 10,75% ao ano, a LCA Consultores entende que "o BC parece disposto a ampliar o período de tempo requerido para que ocorra convergência da inflação à meta, conforme sugestão da ata da última reunião".
A equipe de economistas da consultoria diz ainda em relatório que suas simulações indicam que, "mantidas algumas premissas benignas para a evolução da economia internacional e para parâmetros de difícil mensuração – como o patamar de equilíbrio da taxa de juro real, por exemplo – é ainda provável que a inflação esteja em rota convergente (mas em horizonte dilatado)".
A LCA fica no aguardo da divulgação da ata referente à reunião para analisar melhor a decisão do Copom. "Até lá, o cenário mais provável passa a ser o de manutenção da taxa Selic em 10,75% pelo menos até o primeiro trimestre do ano que vem", completa.
Inflação e atividade justificam decisão
Para a Ativa, o comitê havia expressado o aumento de relevância dos indicadores correntes para a tomada de decisão, com a desaceleração da inflação em foco. Desde o último encontro, houve contínua melhora da inflação corrente, com a expectativa de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto fique próximo a zero pelo terceiro mês consecutivo, lembrou o Banco Schahin. Já o IPCA-15 acumulado nos últimos doze meses até agosto recuou para 4,44% - a primeira vez que o índice ficou abaixo do centro da meta desde janeiro.
Além disso, a produção industrial ficou abaixo da estimativa em julho. Enquanto a expectativa era de avanço de 0,8%, o indicador mostrou crescimento de 0,4%. No segundo trimestre, a produção frustrou as expectativas do Santander, ao marcar alta de 1,35% frente aos três primeiros meses do ano. Por isso, a economista do banco, Tatiana Pinheiro, sustentou em relatório divulgado antes da decisão desta quarta-feira que indicadores da atividade econômica também servem como base para a manutenção da Selic.
Fonte: InfoMoney
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